a arte de perder

a arte de perder

Ontem sai mais cedo do sítio onde trabalho, queria chegar a tempo de ver a história de Alice. Tinha sido convidada por uma amiga para ver aquele filme que, segundo ela, retratava uma vida que “cavava bem fundo em nós”, mas não sabia mais nada, fui levada pela curiosidade e pela vontade de descobrir mais um pouco do desconhecido que habita em mim. Na minha mesa deixara a leitura inacabada de uma autobiografia na página onde está escrito: “Alzheimer”. Esta autobiografia foi escrita por a uma senhora que trabalha num Lar, uma senhora que eu acompanho. Hoje, ao retomar a leitura da autobiografia, não passei da primeira página, pois a descrição dos sintomas daquela doença levaram-me até ontem. Descansei as minhas costas na cadeira, rebobinei a história de Alice, neurolinguista e professora universitária que se depara precocemente com aquela doença, e deixei que imagens sobre “estou aprendendo a arte de perder todos os dias” ocupassem o meu pensamento durante uns minutos.
Deixo-vos a cena final de “Para Sempre Alice”, porque nada se perde para sempre…

Eu tenho um sonho

o meu país está no caminho. Aos tropeções, mas no caminho

Palavras Soltas

Eu sonhei que não havia partidos.
Nesse sonho vi um puzzle. Vi um puzzle redondo, verde, castanho e azul.
O azul reflectia o infinito dos sonhos e, o verde, semeava esperança num castanho fértil.
Os homens e as mulheres que antes se opunham, de uns partidos para os outros, gritando e criticando longe uns dos outros, quando foram empurrados uns para os outros por uma onda especial não souberam o que fazer. Depois de alguma confusão descobriram que até era bom estarem próximos e deixaram de sentir a necessidade de bramar, declamar, forçar. Pela primeira vez, ouviram-se e confiaram. Juntaram-se aos outros caminhantes que já tinham iniciado uma viagem à volta do mundo para apreciar o azul, o verde e o castanho. Leram as mensagens daquelas cores e contagiaram-se partilhando sonhos e esperança.
Estavam eles plantando os sonhos e a esperança encontrados quando eu acordei!

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a identidade está num coração

O Convento de São Mamede, um mosteiro de monges beneditinos ou de frades anacoretas? Será herdeiro de um ribat muçulmano ou terá sido um antigo ermitério? terá tido uma ligação às Carmelitas? Hoje, o que a nossa visão nos permite ver, mostra-nos um mosteiro assaltado e vandalizado. Mas, a nossa alma vê algo que não consegue descrever, sente vontade de o ver conservado mesmo despojado do seu santo, das suas portas, dos seus azulejos, do seu sino, das suas ombreiras de granito. É um corpo fragilizado que segura, com todas as suas forças, um telhado prestes a cair. As suas figuras que vivem ao alto, num tecto de forma convexa, essas sobrevivem quase intactas, embora o tempo tenha apagado a cor da sua juventude. Ficamos com a sensação de que estão protegidas por um cobertor feito de estrelas.

Alguém terá encontrado o seu coração no meio de tanta interrogação inicial! E ele está lá, no altar!

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