Vincent Van Gogh imaginou uma Torre nos campos, talvez nos mesmos campos onde os homens tentaram construir a conhecida Torre de Babel nos primórdios da Humanidade. Nesse tempo estavam os homens construindo uma grande Torre na Mesopotâmia, uma Torre que chegasse ao céu, perto dos Deuses, e onde todos pudessem viver, quando um Deus zangado com a ambição dos homens lança a confusão! Desce dos seus aposentos, vê esta enorme obra e, com um sopro, destrói-a!!! Os homens e mulheres que, nessa altura, falavam todos a mesma língua, que viviam em harmonia e que desejavam tanto crescer e ver crescer os seus descendentes ali, na zona do Crescente Fértil, viram-se privados desse sonho, porque esse Deus ao chegar à Torre, ao mesmo tempo que a destrói, confunde a língua dos homens para que estes se deixassem de entender e dispersa a Humanidade pelos cantos da Terra. A Torre de Babel ficou inacabada, e, os homens, confundidos e dispersos. Muitas histórias aconteceram por esses 4 cantos do Mundo até que chegámos há 10 mil anos atrás, época em que se presume ter sido descoberta a agricultura:“(…) uma equipa de cientistas liderada pela Universidade de Mainz descobriu que vários grupos de pessoas praticavam a agricultura no Crescente Fértil e que essas pessoas eram geneticamente muito diferentes umas das outras. Ou seja, os grupos não se misturaram durante milhares de anos (…)”. Ao ler isto pensei: será que os homens e mulheres obrigados a dispersarem-se conseguiram voltar à Mesopotâmia? Ter-se-ão reencontrado para aprenderem em comunhão a Linguagem da Agricultura? Estaria nos seus genes a necessidade de voltar a casa através de uma linguagem que não se perdeu, embora cada um falasse a sua língua? 
Entretanto o tempo continuou a passar, os homens voltaram a dispersar-se…voltou a confusão que teimosamente se mantém presente… e o Futuro? A força da união marcada nos nossos genes voltará a sentir-se como se de uma semente se tratasse? Num voo interminável?

 

Saudades de alguém que (não) conheci

Sentada numa esplanada debaixo de um céu quente de energias que iluminavam a noite com  raios, sentia a  pele temperada por  ventos rebeldes que sopravam guardanapos pousados nas mesas. Foi este o cenário que antecedeu a passagem para um tempo guardado no passado, e, porque desconhecido para mim, tive saudades.

Foram os meus primos que ontem, ao desembrulharam essa caixa mágica, acordaram o meu pai e permitiram um divertido encontro a quatro, ao recordarem registos que eu não reconhecera nele em vida, marcados por amabilidade, por vontade de dar o que tinha, por gosto em bem receber na sua casa, por sentido de humor… aliás, todas estas características lhas conheci em vida, mas por curtos períodos de tempo; porém, por antecederem sempre um estado de espírito de revolta, eu, por medo, nunca as consegui receber com um coração aberto como o  destes meus primos e como o de outras pessoas com as quais me vou cruzando e me falam prazerosamente do meu pai.

Curiosamente, enquanto os ouvia falar, olhava de vez em quando para o céu que persistia manter-se aceso, e imaginava-o com as suas avultadas orelhas, olhos verdes, cabelo forte e ondulado, com um sorriso que lhe rasgava seu rosto magro. Eu era ainda muito pequenina, tinha cerca de 2 anos.