Mãos

 

mãos fechadas, quando recém nascidas;

mãos curiosas de criança;

mãos envergonhadas e aventureiras de adolescente;

mãos para toda a vida.

mãos que acenam, que apoiam, mãos que dão e que recebem, que escrevem, que orientam, que carregam, mãos percorridas por um mundo de sensações;

mãos pintadas pelo pintor, fotografadas pelo fotógrafo para que nunca nos esqueçamos delas.

Agora eu, que não sou pintora nem fotógrafa, gravei na minha memória os fins de tarde da Primavera e do Verão com aquela alentejana sentada no poial da sua casa branca e amarela vendo e conversando com a vizinha sobre quem vai passando e sobre quem já passou, expressando-se com as suas mãos, as mãos duma alentejana.

Através dos seus pormenores vejo:

Mãos belas, porque “cheias” de vida, porque “traçadas” pelas amarguras e pelas doçuras, porque” iluminadas” pelo sol;

agora, numa posição de descanso no regaço pousa, numa das mãos, um anel de prata rendilhada, com certeza guardado muitas vezes para que o trabalho nos caminhos da terra não lhe retirasse o brilho mas, cuja presença, a da terra, persiste  nas  unhas destas mãos;

Hoje, passados aqueles anos, aquele anel de prata dá brilho a estas mãos. Foi aquele brilho que mas gravou na memória como uma pintura, como um retrato quente, um retrato belo.


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