Ela achou que não?

 

Na continuação do dia anterior – um mundo é uma sequência… –  hoje foi outro dia, o dia em que a vi deitada sem vida. Decidiu terminá-la com 26 anos. Bonita, sociável, com o seu curso terminado, empregada… Eu nunca a conheci pessoalmente. Vi ontem a sua fotografia e hoje, a sua face. É dificil entender porquê. A mãe dizia “ela tinha uns pais que a adoravam. Porquê?”

Porque alcançou o que pretendia alcançar neste mundo? Quereria conhecer outro mundo? Forças invisíveis impeliram-na para tal? Algum desgosto? Não viu saida para um problema que a atormentava? São perguntas que nunca terão uma resposta. Um facto que, para quem fica, causa desconforto, desgosto, nos deixa com frio, nos obriga a olhar para nós, para algumas das nossas preocupações pequeninas…vazias. Terá sido um grito contra o mundo actual materialista e implacável para quem pretende remar contra a maré e soltar-se das suas amarras? Ela terá dito Basta?!…soltando-se, assim? 

Quem fica, a família e os amigos terão que fazer um esforço para a entender sem serem necessárias respostas e continuar a amá-la e, por isso, viver