Feliz Natal

 

É Natal!

 Consigo sentir, ver, tomar o gosto, cheirar, ouvir…alguns momentos da minha infância que ficaram guardados até hoje.

o soalho de madeira que rangia quando eu corria pela casa;

o cheiro e o calor da lareira dentro da qual eu me enfiava e de como o meu olhar perseguia as fagulhas que subiam pela sua garganta -mascarrada de preto pela fuligem – quase, quase até lá ao alto;

do cheiro dos fritos polvilhados com açúcar e canela;

do bacalhau com couves que esfriavam mal eram colocados em cima da mesa;

da família alargada;

do frio na ponta do nariz;

dos lençóis de algodão, gelados, à espera de serem aquecidos com o bafo do meu calor que saia forçado pela boca e do peso dos cobertores que me prendiam os movimentos;

das sensações de alegria e de curiosidade;

do teste de resistência à espera, o qual durava há já não sei quanto tempo;

da Noite de Natal mal dormida à espera do amanhecer para, finalmente, ver o que o Menino Jesus me tinha colocado no sapatinho;

do cheiro a café que fervia no lume da lareira na manhã de Natal;

das filhós, das azevias, dos belhós… espalhados pela mesa, acondicionados cuidadosamente em alguidares de barro desde a noite anterior;

…e, de manhãzinha, depois de ver alguns dos meus pedidos concretizados, voltava a abraçar a esperança de que no ano seguinte o Menino Jesus se lembrasse de mim, através dum efeito mágico…não interessava qual.

 A esse efeito mágico chamo-lhe Fé que, polvilhado com os sorrisos e a esperança de todos ajudará a mudar o mundo de cada um de nós. E nós, individualmente, com a nossa fé, polvilhemos de sorrisos e de esperança o mundo que é de todos.

****Feliz Natal ****

 

 

 

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