O Vento

 

Vento que me empurra para trás, vento que solta o laço, vento que gira e levanta a poeira, vento que redistribui os malmequeres brancos e amarelos, as papoilas, vento que leva o som que eu quero que chegue ali, vento que me assobia aos ouvidos, que canta, que bate com a porta, que provoca as trancas das portadas, vento que fala com o silêncio, que dá conversa às folhas das árvores, que arrepia quando frio, que tranforma a areia da praia em sensação de espinhos na pele, vento que limpa o grão, vento que, quando finalmente se acalma, se assoma tímidamente como uma brisa e sorri, trazendo o perfume do mar ou o aroma das cores do campo; vento que voa com um balão, um lenço ou uma folha de papel e que dança ao materializar-se assim; vento que brinca comigo, pois, com seus dedos me emaranha o cabelo e cria um enredo, enriçando-me a guedelha, revoltando-a labirínticamente e eu…Oh vento pára senão avento-te!!