Sonhar

 

Neste fim de semana passei por uma experiência que há muito não lhe sentia a energia, a experiência de sonhar acordada.

Na sexta feira, resolvemos ir à Zambujeira do Mar passar o fim de semana. Ficámos no Zmar, um parque de campismo amigo da natureza e no domingo, antes de irmos para a praia, visitámos o Cabo Sardão. No caminho para a vila lemos o anúncio: “vende-se moinho e casa”. Fomos ver como eram. Chegámos lá guiados por um caminho de terra enquanto que pela janela entrava o aroma duma plantação de milho acabada de regar. No fim desse caminho, lá estavam a casa e os moinhos (afinal eram dois). Em redor, viviam árvores de fruta e patos que batiam as asas num pequeno lago. Estes conviviam com galos, galinhas e um cão. Sempre sonhei adquirir e viver num moinho, nem que fosse numa só estação por ano, a do Verão. Ali mesmo, havia o moinho, uma pequena quinta, uma casa tradicional, “cheirava” a água, o mar estava a 7Km, podia ir até lá de bicicleta!!… Imaginei-me dali a uns anos a dedicar-me inteiramente a uma vida de campo com o mar à beira. Vestiria a tempo inteiro umas saias, camisas, calças, vestidos que eu imaginaria e confecionaria (reaprenderia esta arte que a minha mãe me ensinou), mas adequadas a uma vida rural, com um toque original (eu, já quando era adolescente gostava muito de imaginar os meus modelitos) e o Zé teria espaço mais que suficiente para se dedicar às artes dele e vir a ser artesão, quem sabe. Há por ali muita cortiça…porque não contribuir para que a arte de transformar a cortiça em peças com utilidade ou decorativas tivesse continuidade e, assim, valorizar o trabalho iniciado por pastores de outrora…Fomos sonhando na viagem de regresso a casa e eu, quando ia descrevendo o que me passava pela cabeça, sentia o que dizia como se já fosse real, super, super feliz! Hoje digo-vos que foi só um sonho, pois não temos dinheiro para comprar aquela “quintinha”. Mas não faz mal, pois mesmo que alguns sonhos que tenhamos ao longo da vida nunca se concretizem, já foi bom tê-los. Não lamento a sua não concretização. Sabem porquê? Porque não tenho a certeza se serão inconcretizáveis, porque enquanto viver não me esquecerei deles e é esta memória dos sonhos que me obriga a estar atenta a uma oportunidade futura.

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