Uma história sobre rodas

 

O meu sonho em criança era ter uma bicicleta, mas tal nunca aconteceu. Pedi este presente em alguns Natais, em alguns aniversários, mais do que uma vez, mas não…restava-me andar nas bicicletas das minhas duas amigas, a Isabel e a Né. Tive um triciclo, mas com 8, 9 anos os joelhos empeçavam no guiador, ficavam com nódoas negras até que o coloquei de parte. Não sei qual foi o seu destino. Também tive uns patins de ferro de 4 rodas que se ajustavam ao peito do pé com uns espartilhos vermelhos atados com uns baraços em X. À medida que os pés iam crescendo, desenroscávamos umas roscas  da parte de baixo do patim, dávamos mais um espaço e enroscávamo-las noutro parafuso. Herdei-os da minha irmã. Acho que ela os recebeu numa festa de Natal da EDP, empresa onde o meu pai trabalhava. Andava com eles na varanda da minha casa em Sacavém que era comprida o suficiente para dar uns grandes passos deslizantes. Mais tarde, trouxe-os para a Amieira. Ainda dei umas voltas com eles de baixo do alpendre da casa no chão vermelho e depois guardei-os. Desapareceram com as obras na casa em 1993.

As minhas experiências em rodas movidas com a minha energia pararam a partir dos 18 anos, altura em que tirei a carta e comecei a conduzir um automóvel também de “ferro”, pois era tudo tão pesado – as portas, o capô que eu tinha que levantar sempre que fazíamos viagens maiores para verificar o nível do óleo; e quando tínhamos um furo??!!!! O meu pai é que mudava o pneu tá claro, porque por mais poderoso que fosse o elevador denominado macaco, eu não tinha força para  levantar o carro, muito menos para desapertar as roscas da roda – eu punha-me em cima daquela cruzeta com os dois pés, fazia força para baixo com as pernas, mas aquilo não se movia.  Apesar de tudo isto, ele insistia na minha ajuda, pedindo-me algumas ferramentas e também gostava que eu o observasse. Portanto, posso dizer que fiquei conhecedora da teoria da substituição dum pneu.

Há uns 7 anos recebi finalmente uma bicicleta no meu aniversário a qual começou a fazer parte dum conjunto da família que temos na Amieira. Gosto muito de lá andar de bicicleta em caminhos de terra, sem carros a atrapalhar-me (ou eu a atrapalhá-los), rodeada de árvores e animais que param de pastar para nos observar quando passamos. Há no entanto algumas subidas nas quais tenho que descer da bicicleta e levá-la à mão.

Há duas semanas resolvemos pedir que fizessem uma revisão a outras duas bicicletas que temos cá na garagem paradas há tempo de mais e hoje foi a segunda vez que andei de bicicleta na cidade. Não é uma cidade muito movimentada, é certo, mas no primeiro passeio que fizemos ia com receio de ser atropelada. Aqui não posso levar os cabelos ao vento como na aldeia ao cumprir a regra do uso do capacete, a maior parte do passeio é em asfalto, mas hoje já fizemos metade do percurso numa estrada que não conhecíamos sem que nos cruzassemos com um carro. Foi bom levantar às 8 horas e passear de bicicleta. O vento é que não ajudou, porque no regresso que foi a subir, o vento empurrava-me a cara, os braços, as pernas e o esforço para chegar a casa foi grande.

Acho que vou dormir uma sesta antes de ir fazer uma caminhada pela História, num cenário Islâmico, num palco chamado Marvão , mais logo.

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