A descrição de um salto

No sábado concretizei um desejo:

Saltei de pára-quedas

Quando chegou a minha vez, sentei-me com as pernas penduradas do pequeno avião que voava a 4 mil e duzentos metros de altura, olhei a magnífica paisagem desenhada em tons terra, no horizonte um aglomerado de ar traçava na atmosfera uma linha branca que acompanhava a curva do planeta, estava frio, o vento gritava-me aos ouvidos, mas a sensação de me deixar levar pelo instrutor que me guiou na queda no céu é inesquecível… aquele momento rápido de me descolar do avião e cair é indescritível. Depois, foi uma queda que durou um minuto, a uma velocidade tal que me obrigou a esquecer tudo para só ouvir o vento que corria furiosamente pela minha face e ouvidos. A determinada altura o pára-quedas abriu, fui impulsionada para cima e finalmente apareceu o silêncio, a tranquilidade e, os três, ficámos pendurados no céu!!! de pé!!! ondulando!!! Lembrei-me então que atrás de mim estava o instrutor, lembrei-me que não estava sózinha. Conversámos um bocadinho e num instante os meus pés tocaram a terra novamente, mas eu, eu fiquei ainda umas horas pairando no céu cá na terra. Passeei pela zona comercial de Évora e almocei numa esplanada, mas, quer a mim, quer à minha amiga, apetecia-nos ficar paradas, com a cabeça nas nuvéns.

 Momentos de apelo à sensação, momentos desafiantes são importantes numa vida. Quem diz saltar de pára-quedas diz, fazer uma escalada numa rocha, diz atravessar um rio a nado, diz subir uma montanha, fazer uma caminhada… estes momentos fazem parte de um encontro connosco. É importante marcarmos encontros connosco de vez em quando para não nos esquecermos que existimos e, neste caso, um salto lá de cima do céu,  permite-nos um olhar macroscópico sobre o espaço que se vai alterando lentamente à medida que descemos,  tornando os seus pormenores cada vez maiores, de tal forma que dentro destes cabem realidades onde residem potencialidades que habitualmente não vemos, porque o gigante chamado globalização nos vai cegando com uma luz artificial, se nós deixarmos.

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