Coisas do dia-a-dia

 

Sempre convivi com gatos e cães gosto muito deles. Quando ia passar férias com os meus avós à aldeia havia sempre um gato na casa. Era óptimo para caçar ratinhos – sim, porque haviam ratinhos no palheiro onde habitava a burra chamada Boneca – e aquecia-me o colo, nas noites de inverno à lareira. Estou a falar dum dos gatinhos que a minha avó teve, aliás, era uma gatinha. Eu lembro-me de ser travessa com ela, pois escondia-me no quintal e imitava um gato zangado a miar e ela, doida, corria dum lado para o outro, à procura de mim. Quando me encontrava, eu calava-me e ela ficava confusa (penso eu) olhando para mim. Eu fazia o mesmo com os cães, imitava-os para ver a sua reacção. Eles reagiam com a cabeça, inclinando-a para um lado e para o outro, com as orelhas arrebitadas.

Na casa dos meus pais tínhamos a visita diária dum cãozinho castanho e pequeno. Era o Dói-Dói. Ele passava a maior parte do tempo na rua, mas eu como me afeiçoei a ele, levei-o para casa, mas percebi logo que ele era cão de rua. Deixámo-lo ir. Quando ele queria a nossa companhia e comida ladrava à porta do prédio, um transeunte que passasse, tocava a uma campainha qualquer, essa vizinha abria o trinco da porta do prédio, esta era empurrava e lá vinha o Dói-Dói a correr a toda a velocidade até ao 2º andar. Ladrava à nossa porta, eu ou a minha mãe abriamo-la e ele corria até à cozinha e parava junto à porta do armário onde o petisco o esperava. Ficava lá em casa, eu brincava com ele e depois ia embora.

O meu gato tem uma vida que se assemelha à do Dói-Dói. O Tico, o meu gato, quando quer ir passear mia à porta, bate com a pata na chave, nós abrimos a porta e ele vai passear. Quando quer voltar para casa, sobe as escadas do prédio, mia do lado de fora, arranha a porta quando acha que estamos a demorar demais e nós abrimos a porta, ele entra e dirige-se para o prato da comida calmamente. Acho que é um gato sortudo! Já se atirou, no início da sua vida cá em casa, à gaiola, porque está lá o nosso piriquito barulhento, já roubou um polvo que estava a descongelar no balcão da cozinha e escondeu-o atrás da porta para o sótão, continua a achar estranho como duas andorinhas ainda não voaram da parede da nossa varanda e fica sentado a olhar para cima, “rosna” raios e coriscos quando o tiramos debaixo dos lençois da cama da Carolina e a gente tem que se impor, porque, se não morde-nos. É este o nosso gato e olhem, acabou de entrar na sala, sentou-se ao lado da minha perna que está estendida e estamos aqui os dois a receber o calor que a dança das chamas nos atira através da boca da lareira.

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