Vou contar-vos um segredo d’origem

Anteontem, quando descobri o video de Royalistick “Como Uma Estrela“, lembrei-me das profissões que pensei desempenhar ao longo da vida

e, ao ouvir a canção de noiserv, deu-me vontade de escrever

Quando eu tinha idade de criança gostava de ser veterinária. Não conseguia ver passar um cão na rua que não parasse para lhe fazer uma festa; imitava o miar dos gatos e o latir dos cães, o coachar das rãs e o grunhir dos porcos, o cacarejar das galinhas e o grasnar dos patos, (ainda hoje gosto de fazer isso e ver a reacção dos bichos!), apanhava gafanhotos, moscas, rãs e aranhas…

Depois, sonhei viajar e quis ser hospedeira, mas não tinha altura suficiente para desempenhar essa profissão e, como tal, acordei deste sonho passado pouco tempo. Na idade de adolescente queria ser estilista. Adorava profissões ligadas à moda e a minha mãe como costurava muito bem, fazia-me os vestidos que eu imaginava vestir! Ainda tenho alguns destes vestidos guardados e, um dos últimos que a minha mãe me fez, vesti-o no ano passado, numa festa de casamento (este vestido tem 21 anos)!

Recuando no tempo, aos 15 anos tive que optar pela área de estudos que queria seguir.O meu sonho: ARTES!!! Mas, a minha insegurança não deixou! A minha insegurança disse: “para seres uma boa estilista tens que ter muito jeito para o desenho” e, eu, eu achava-me muito mediana. Tive medo de arriscar e de não conseguir ser uma boa profissional. Então, joguei pelo seguro e segui a área das Humanidades, pois era muito boa aluna a Português e a Filosofia. Também gostava de Ciências (Matemática e Química)… Bem, eu acho que só não gostava de Economia e de Gestão!… À porta dos estudos universitários pensei: e agora?? Como na altura me intrigavam (e ainda hoje me intrigam) os fenómenos sociais, candidatei-me a Sociologia e foi esta ciência que estudei. Às portas do mundo do trabalho, agarrei a oportunidade de fazer aconselhamento escolar e profissional e o meu caminho tem sido o de aconselhamento constante aos outros. Nunca cheguei a fazer investigação – os problemas sociológicos ficaram na esfera académica das salas de aula e resumiram-se a alguns trabalhos de campo. O professor que mais gostei foi o Professor Moisés Espírito Santo, professor de Sociologia Rural. Pois é!… na altura eu já admirava tudo o que respirasse ruralidade…

Hoje, se fizesse uma entrevista a uma jovem como eu (fui), dir-lhe-ia: “Segue o teu sonho! Se achas que não tens jeito para o desenho, trabalha, trabalha, trabalha, até seres a desenhadora de roupa que ambicionas ser.” Aqueles tempos, os dos anos 80, caracterizaram-se por um Boom de novos estilistas, foi um mundo de oportunidades que se abriu nessa altura e, eu, se não tivesse tido medo, tinha passado essa porta para lá.

Fiquei do lado de cá e dediquei-me às pessoas. Não segui investigação sociológica, saltei para o“campo” preveligiando, assim, o contacto directo com elas.

A sociologia como ciência e os conhecimentos de psicologia que o trabalho me deu, orientaram-me para um olhar um pouco mais tranquilo, neste mundo onde eu e outros indivíduos interagimos através de uma rede, uma rede de energias positivas e negativas.

Hoje, quase perto do meio século (!!), não esqueci o sonho feito de arte e espero ter ainda tempo suficiente para vir a morar numa pequena quinta, onde construa uma pequena estufa, onde cultive plantas tintureiras, onde exista um pequeno laboratório para eu criar cores (tintas), perto do mar e em que a minha casa seja um moinho de vento.

Essas tintas que nascerão dessas plantas serão para eu tingir determinado tipo de tecido para fazer um determinado modelo de vestido. O desenho desse vestido beberá nas origens de traços alentejanos, minhotos, algarvios…(Eu adoro trajes tradicionais e gosto de os usar com o toque do sec. XXI).

Desta forma daria vida à nossa segunda pele que é o vestuário sem esquecer as nossas origens – as cores surgiriam da natureza, a forma do vestido surgiria da tradição, o moinho de vento simbolizaria a transformação e, viver perto do mar, simbolizaria a imaginação.

moinho de sonho

Como disse Picasso demora muito tempo, tornarmo-nos jovens.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s