Recebi agora uma mensagem da Companhia de Seguros dizendo que estava concluído o meu relatório final de avaliação…

No dia 24 de Abril fui com a minha colega e amiga a Lisboa para uma última consulta no médico. Nesse dia falámos muito do acidente de automóvel que sofremos em Novembro, quando uma senhora que vinha em sentido contrário se despistou e chocou connosco.

Num dia da semana passada tive que me deslocar na mesma estrada, mais ou menos à mesma hora e o dia estava igualzinho: cinzento e chuvoso. Não consegui deixar de pensar na sensação que vivi naquela manhã de 22 de Novembro de 2011 e de como terá aquela senhora sentido a sua morte…

Pelo que me contaram estive cerca de 2 horas dentro daquele carro, no qual eu me senti protegida no momento do impacto. Durante essas 2 horas, não me consegui mexer, porque me doía o corpo, mas a sensação que tive foi a de que o tempo voou. Lembro-me do medo que tive, pois a incerteza das consequências físicas e psicológicas é terrível. Depois, no hospital de Portalegre, quando me disseram que eu tinha que fazer uma viagem até outro hospital em Lisboa, de ambulância e presa a uma maca, entrei em pânico. Deram-me um calmante amargo que me serenou. O enfermeiro que me acompanhou na viagem era muito divertido, fazia-me rir e obrigou-me a decorar o nome dele (Fábio), bem como a sua cara para que, se me cruzasse com ele um dia na rua, o conhecesse e o cumprimentasse. Logo que saímos de Portalegre eu pedi-lhe água, pois estava com muita sede. Ele disse-me que não podia beber e eu ainda fiquei com mais sede, a minha ansiedade aumentou e confessei-lhe: “estou a entrar em estado de ansiedade!”. Ele respondeu: “Ai!! Não, não! Não lhe pode dar aqui o fanico!!” Eu ri-me, no meio daquela confusão de sensações. Ele foi simpático e colocou-me uma compressa humedecida nos lábios e a sede passou. Depois, fiz a viagem a ouvir as suas histórias cómicas. Afinal, cheguei num instante a Lisboa!

Hoje estou bem, embora ainda não consiga fazer longas caminhadas e tenha receio de andar de bicicleta pelo campo. Os meus pés ainda estão trôpegos, bem como os meus joelhos, mas espero conseguir alcançar com eles ainda algumas metas. O próximo desafio é uma caminhada de 10 Km por caminhos de terra no próximo fim de semana. Mas, atenção, nesta caminhada seremos acompanhados por uma carroça puxada por um burro, portanto, se me cansar, salto para a carroça!

…é a vida…

Como escreveu Mário de Andrade:

(…)quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços,
não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora,
não foge da sua mortalidade.

4 thoughts on “

  1. Wow. What a story. It seems a miracle that you’re still with us. I am so glad. And the fact that you are able to walk in a 10k is magnificent. You can say that you are a walking miracle. And remember, it’s not how fast you complete the journey it’s the steps, pauses along the way that make the difference. Peace. 🙂

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