Loucos de Lisboa

 

Sempre que ouço a letra desta canção, recordo o trajecto que fazia desde a minha casa até à faculdade. Fixei aquela travagem do autocarro no semáforo vermelho ao lado do Hospital Júlio de Matos e aquela passadeira da Avenida do Brasil em frente ao edifício cor de rosa, pois, parava ali para passar para o outro lado (da estrada). Na passeio,  passeavam “os doentes do Júlio de Matos” desejando ver alguém fumando para poderem cravar um cigarro; eles, que de braços caídos andavam 100 metros numa direcção, voltavam para trás e davam mais 100 passos, compassadamente, para que não se esquecessem do caminho dos seus pensamentos falando simultâneamente deles, em voz alta. Tive a oportunidade de observar os seus gestos durante anos, dentro das paredes de hospitais como aquele pintado de cor rosa quando ia visitar um familiar próximo. Ficaram gravados na minha memória os  pedidos destes homens aos estranhos, como eu: um cigarro ou um café ou um beijinho! Depois de saciada a fome da nicotina, da cafeína ou de um carinho (embora eu, jovem, não achasse muita graça dar-lhes um beijinho…), voltavam ao seu mundo onde se sentiam protegidos e heróis porque, como diz a canção:

“(…)São os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
Que a Terra gira ao contrário
E os rios nascem no mar (…)”

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