D’origem

o cão sentado do lado de fora do portão, é um cão que costuma acompanhar-nos nos passeios pelo campo. Anteontem, depois de um passeio, deixei o portão aberto: um convite para ele entrar se quisesse. Mas não, ele preferiu ficar a observar-me do lado de fora durante uns minutos e depois foi embora.

A telha mourisca inspirou o nosso passeio de fim de semana, o último de Setembro, num dia quente.

Em Amieira do Tejo existiu uma manufactura de telha mourisca, a telha de muitas casas portuguesas, como vêem neste pequenino retrato que vos mostro em cima. A matéria prima era a terra barrenta extraída de uma colina, as mãos dos artesãos moldavam o barro em forma de telha com ajuda de um molde, colocava-na no chão ao sol para secar e, depois de seca, depositavam todas as telhas  no forno alimentado com paus de eucalipto que, ao arderem, aqueciam o forno que cozia as telhas.

A fábrica só laborava no verão, pois, o sol era imprescindível para secar as telhas, além de se trabalhar ao ar livre.

Estas, são parte das suas ruínas.

O processo de fabrico da telha é parecido ao processo de fabrico do pão. Ora vejam!

O barro era aqui amassado (tal como a farinha e a água o são numa amassadeira, no caso do pão)  através da força de um burro que fazia girar aquele mecanismo

Os artesãos trabalhavam em bancadas, onde moldavam a telha (tal como o padeiro tem uma bancada para moldar o pão). Depois, as telhas eram colocadas no chão forrado de areia para que elas não se colassem à terra (a função da areia é a mesma da farinha que forra a bancada e as mãos do padeiro para que a massa do pão não se cole). Esta areia era igualmente extraída na zona.

As telhas eram cozidas num forno o qual era aquecido com madeira de eucalipto (igual ao forno a lenha de uma padaria tradicional). Esta é uma das chaminés.

as telhas eram empilhadas dentro deste forno para cozerem

esta porta com cortinas de silvas…

…era a porta de entrada para este armazém onde as telhas aguardavam o transporte que as levaria a vários tectos do nosso país

Dei a este relato o título “D’origem” porque tudo o que era necessário para fazer a telha era dado pela terra e pelo sol!

Fico um pouco triste cada vez que vou visitar estas ruínas, cada vez mais ruínas…

A telha mourisca é uma telha tão bonita! embeleza os nossos telhados e beirados que, com o tempo, ganham musgo e fungos – as suas rugas – como podem confirmar na  segunda fotografia, as telhas que cobrem um telheiro.

7 thoughts on “D’origem

  1. Wonderful story Marilia. I never thought of making tiles similar to making bread. Great comparison. What a fun abandoned location. I find it exciting to visit places like this. There are still stories to be told here. Thanks for preserving a bit of your cultural history here. 🙂

  2. Thank you Mobius. Do you know? I just discovered that similarity when I started writing this story🙂

    I’ve tried to comment your post again and again… and it not appear (I’ve recorded it on my computer to not have to write again)! It will have many words???? No!! sooner I will try again
    I was very moved with your post

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