sobre a morte

Ontem, ao fim do dia, assim que estacionei o carro, desliguei-o e comecei a ouvir uma voz no rádio. Fiquei mais um pouco a ouvir a mensagem daquela canção e memorizei o título – “Debaixo da Ponte”. Depois, sai do carro, caminhei pela avenida e à noite, no sofá, o tema de conversa foi a morte, o suicidio.

Há uns dias despedi-me de um amigo, aqui, nesta minha janela para o mundo. Este acontecimento deixou-me uma marca. Esta marca obrigou-me a questionar sobre mim própria, sobre o ser humano, a sua complexidade e de como a pressão exercida nessa complexidade tão sensível pode ser fatal.

Nunca esperámos que este nosso amigo se suicidasse…vou ter saudades da face que ele mais queria mostrar-nos: aquela que revelava alegria, aquela que brincava, aquela que ria, da sua expressão cómica ao abordar as pessoas que desconhecia. Ele tratava-me pelo meu nome de infância “Milita”. Quando ele teve conhecimento deste meu nome, nunca mais me tratou por Marília. 

Por que é que ele decidiu desaparecer para sempre?? a linha que separa a vida da morte é tão ténue, há pessoas que sofrem tanto e nós nem notamos… umas aguentam o fardo, conseguem acolhê-lo em cantos que vão criando dentro de si, ouvem a mensagem que esse fardo lhes quer transmitir e aprendem a viver com ele, as resilientes. Outras, querem livrar-se desse fardo, repudiam-no, nunca o acolhem. O fardo, responde a esta falta de acolhimento impondo o seu peso que, com o passar do tempo se torna insuportável para quem o carrega. A solução que a pessoa encontra é a de bater à porta da morte, talvez porque o fardo a mine e ela se transforme num fardo para si própria.

Por outro lado, há também quem morra antes de morrer…

6 thoughts on “sobre a morte

  1. Ao ler este desabafo lembrei-me de uma frase que li por ai e que guardei como verdade. “Nascemos,vivemos e morremos. Por vezes nem sempre por essa ordem. Resolvemos as coisas e elas surgem de novo. Se a vida não é o fim, com que podemos contar? Não podemos contar com nada na vida. A vida é a coisa mais instável e imprevisível que há. Na verdade só há uma coisa na vida sobre a qual temos a certeza. Só termina quando acaba.” Mas enquanto não termina, há que ver os fardos como asas, elas também tem peso sobre as nossas costas, mas também são elas que nos permitem voar… :\

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