o céu à noite

Era Sábado, 21 horas. Encontrámo-nos na sede da associação cultural. A noite estava agradávelmente fria e o céu cheio de nuvéns. O António, o nosso astrónomo-guia, disse-nos que a concentração de humidade era tal que não valia a pena irmos à serra ver as estrelas. assim sendo, sentei-me à lareira, uma lareira alentejana, à minha frente sentou-se uma jovem pintora e do meu lado direito outra pintora, ansiã que, com outro ancião começaram a contar-nos adivinhas. Ao fim de algum tempo o António entrou dentro da sala, disse-nos que as nuvéns tinham ido embora e convidou-nos para um passeio até à serra. Só cinco aceitaram o desafio para sairem do conforto da sala quente. Distribuimo-nos por dois carros e lá fomos. Chegámos ao local perto da Ermida de São Mamede e saímos dos nossos  carros para a escuridão. Iniciámos a nossa pequena caminhada através do escuro e os nossos olhos, ao começarem a habituar-se, começaram a ver os vultos uns dos outros, das árvores, dos arbustos. Parámos num local plano, reunimo-nos em círculo e olhámos para o céu. Estava um frio cortante, um silêncio absoluto, só nós seis e talvez alguns animais escondidos a observar-nos. O António explicou-nos para onde a terra estava a rodar, apontou-nos, no horizonte, as estrelas que estavam a nascer, vimos Jupiter, a constelação de Orion e a estrela Sirius. Confesso que a minha aptidão espacial é muito fraca e algumas formas apontadas pelo nosso orientador, não, nunca as identifiquei… o meu sentido de orientação também não é dos melhores, raramente sei identificar onde fica o Norte…muitas vezes consigo chegar a determinado destino por intuição ou por sorte, sei lá!

Uma excelente sensação foi olhar o horizonte e saber que a terra estava a rodar nesse sentido, velozmente. A minha imaginação sussurrou-me que, se eu acompanhasse essa rotação, o local onde eu estava naquele momento iria levar-me até lá como se de um carrinho de uma montanha russa se tratasse. Por oposição a esta ideia imaginária de velocidade: Se eu me tivesse deitado ali no chão, sossegadinha, sentiria essa viagem? Um dia experimentarei…

Outra  experiencia fantástica foi as nuvéns brincando connosco! quando elas escondiam as estrelas, o céu ficava escuro como bréu, nós ficávamos tristes, e, num desses momentos quase que desistimos de ali estar. Estávamos quase para vir embora, a Dora olha para o céu e vê abrir-se várias cortinas. Lá estava o céu brilhando outra vez, grandiosamente! Aprendemos a identificar as jovens estrelas, as azuladas e, as moribundas, as amareladas.

Estivemos a ouvir o António durante uma hora, ao lado de uma ermida que foi vandalizada por seres humanos, ermida para a qual eu olhava de vez em quando…será o Amor,  o portal que se abrirá no final de 2012? Talvez seja essa a grande transformação da humanidade…

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