azul infinito

Fui levar umas flores aos meus pais e aos meus avós. Quando cheguei ao cemitério haviam flores desordenadas e despenteadas por todo o lado. O vendaval e a chuva que sentimos nestes últimos dias do ano deu um certo movimento àquele cemitério. Penso que as flores saltaram das jarras e dançaram pelo ar ao sabor do vento. Quando eu cheguei, hoje, num dia sereno e solarengo, elas descansavam pelo chão. Depois de eu ter arrumado as que pertenciam à minha família, levantei da terra as outras flores e coloquei-as nas jarras que estavam vazias. Se as dividi por túmulos desconhecidos, não sei. Elas que saltem no próximo vendaval.

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Depois do almoço deitei-me num banco do meu quintal com a face virada para o sol. Do meu lado direito corria o som da água num ribeiro, por cima o das rolas e dos pardais e, ao fundo, o do sino da torre da igreja soletrando as 14 horas. O sol estava quente. Quente demais para se chamar sol de inverno – voou pela minha cabeça o perigo de adormecer e queimar a pele. Estava eu quase, quase a passar pelas brasas deste sol quente quando ouço o barulho de um compressor. O vizinho do lado tinha começado a dizimar as ervas daninhas que brotavam do chão do seu quintal. Antes de me levantar, porque a comunicação entre mim e a natureza fora interrompida, ainda olhei o céu e entrei por aquele azul infinito.

Na viagem para casa conclui que este ano tenho por aqui reflectido várias vezes sobre a morte. Será por estar perto dos 50? serão encontros amistosos entre mim e ela? serão despedidas de partes de mim?

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