A Noite de um Insecto

Era um Insecto curioso, aquele! De dia ninguém reparava na sua presença, mas, à noite, iluminava pequenos espaços imersos na escuridão. Iluminando, iluminou-se.

– No escuro há sempre uma luz – suspirava a Noite.
– Como é que tu consegues viver sempre o escuro? – perguntou-lhe o Insecto.
– Porque antes de eu chegar cruzo-me com o dia por uns minutos e é esse bocadinho, todos os dias, que me faz dar valor aos momentos de luz. São eles que me permitem mergulhar na escuridão. Primeiro, deixo entrar, sinto e respiro fundo o vazio do escuro silencioso, ouço o que ele tem para me dizer, quietinha. Passado pouco tempo, abro os olhos, começo a ouvir uma música e é nesse momento que me movimento expressando-me: colo as estrelas no céu, suspendo as sombras da árvores no cimo das serras lá no horizonte, dou uma face à Lua.
– Mas…que música e essa? – questionou o Insecto?
– É a música que nasce da tua luz, Insecto.

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