passar o tempo

As aldeias que eu costumo visitar têm todas um ponto de convívio ao ar livre chamado adro e bancos de madeira ou de ferro distribuídos pelo espaço para a gente se sentar.

No adro comunicaram-se, em tempos, assuntos importantes, porque este era um ponto de encontro espontâneo. Aqui eram anunciadas as boas e as más notícias, um evento importante era ali que acontecia, era ali que os trabalhadores se reuniam para a jornada do dia solar. Era dali que se abalava para qualquer destino, era ali que as crianças se juntavam e brincavam. O adro era o coração de uma aldeia, bombeado talvez também pelos sopros espirituais expirados através das janelas da igreja, a sua matriz. Hoje este coração está vazio, à espera de algo que o preencha.

Quanto aos bancos, os velhinhos sempre os souberam utilizar muito bem até aos dias de hoje. Quando os vejo sentados nesses bancos em dias de sol sozinhos ou acompanhados pelos seus compadres, penso sempre: como eles sabem apreciar a vida ao ar livre!…

A aldeia de Santa Eulália, perto de Elvas! Lembro-me que esta terra tem bancos distribuídos pelo passeio que acompanha a estrada que atravessa a aldeia. Nos fins de tarde de verão, os bancos ficam todos ocupados e os velhos que os ocupam ficam apreciando quem passa de carro. Depois dão palpites sobre a identidade dos passageiros. É um passatempo!

As histórias ouvidas por bancos como aqueles distribuídos pelas aldeias do país inteiro, são histórias de apreciação das vidas de outrora e a sua comparação com as vidas de agora. São histórias que lamentam os valores que se perderam, que lamentam o desapego pela terra, que lamentam as tradições esquecidas, a simplicidade das habitações, lamentam a transformação das relações familiares e de vizinhança. Lembram, com saudade, os ofícios que aprenderam com os seus mestres, as contas de somar e de subtrair que faziam de cabeça…

Estes velhos são uma fonte rica de inspiração para nós, são eles a ponte entre o passado e o futuro. Através deles a riqueza do passado poderá renascer e eu já sei de muita gente nova que não vai perder a oportunidade de estar sentada ao lado desta gente velha num banco de jardim.

Para os velhos que contam as histórias em bancos do jardim, apresento-vos os velhos deste lado da ponte🙂

“O Sol vai chegar à cidade (…)ao alto os corações”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s