atravessar, por dentro

Tudo foi mudando, desde há um ano e meio, mais ou menos.

Ela nunca parava, estava sempre em movimento, procurava sair, conviver, viajar, dedicava-se muito ao trabalho… Toda esta atenção para o exterior distraia-a do que se passava lá dentro. Um dia um acontecimento obrigou-a a parar fisicamente. Esse acontecimento fez com que à sua volta, o que estava em desiquilíbrio, se desiquilibrasse ainda mais.

Ficou imóvel, algo do qual ela tinha medo, pois costumava pensar: “se um dia houver uma catástrofe natural e eu fique presa, sem me conseguir mexer, entrarei em pânico e acho que morrerei com esse pânico”. Algo parecido sucedeu e o pânico afinal não foi tão mau assim.

Ela teve que parar com toda aquela correria e, depois de passar por um mundo onde se tudo baralhou e no qual se sentiu perdida, prestou atenção: “Mas o que é isto? mas o que é isto que me quer falar? quer dizer-me o quê?”

Foi por querer ouvir que ela encontrou. Lá dentro estava o mundo que ela procurava e, depois de o ver, tudo se tem vindo a encaixar e a encontrar, sem qualquer esforço. Tudo acontece naturalmente, espantosamente.

Chegou então a hora de desafiar novamente o corpo e, há cerca pouco tempo, um “esforço” físico, recuperou a memória de sensações de dor associadas a um susto. Ela tinha desistido de se esforçar fisicamente há já uns meses e, depois de se ter preparado para aquele desafio, a medo, enfrentou uma nova experiencia. Teve vontade de chorar.

– A dor está cá vou acolhê-la – pensou ela.

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