A Fábrica

Está de luto esta Fábrica. Respirou movimento num século que já passou. Hoje, o único que sente é a voz de uns pássaros que encontraram um poiso na sua imensidão.

Ficou desventrada ao serem-lhe arrancados os engenhos criadores. As marcas? São grandes poços… secos.

Os nossos passos quebram o silêncio dos estilhaços de vidros que caíram das lâmpadas fluorescentes que iluminavam as salas sem sol.

Linhas coloridamente sóbrias, esquecidas em prateleiras, tiveram todo o tempo para ceder à sua força. Frágeis e silenciosas, continuam  abraçadas a rolos esperando, sem sentidos, os pontos esquecidos em padrões de tecidos resistentes, também estes, coloridamente sóbrios.

Espalhados estão os objetos, as folhas de papel, as pastas, os restos em metal, em plástico, em madeira… os restos de algo que teve a sua função na história.

As mãos que picavam o ponto todos os dias, as mãos que ajudaram a dobar as linhas, as mãos que ajudaram a transformar os fios de lã em tecidos, essas continuam vivas do lado de lá destas paredes e contam-nos histórias.

Os tecidos que ficaram retidos num espaço do tempo desta Fábrica jazem adormecidos no chão à espera de um resgate qualquer…

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2 thoughts on “A Fábrica

  1. last year I’ve been listening to life stories of old ladies. They worked in factories like this one, today in ruins. And yes, I know you admire spaces like this one. I remember of your photos!

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