Saudades de alguém que (não) conheci

Sentada numa esplanada debaixo de um céu quente de energias que iluminavam a noite com  raios, sentia a  pele temperada por  ventos rebeldes que sopravam guardanapos pousados nas mesas. Foi este o cenário que antecedeu a passagem para um tempo guardado no passado, e, porque desconhecido para mim, tive saudades.

Foram os meus primos que ontem, ao desembrulharam essa caixa mágica, acordaram o meu pai e permitiram um divertido encontro a quatro, ao recordarem registos que eu não reconhecera nele em vida, marcados por amabilidade, por vontade de dar o que tinha, por gosto em bem receber na sua casa, por sentido de humor… aliás, todas estas características lhas conheci em vida, mas por curtos períodos de tempo; porém, por antecederem sempre um estado de espírito de revolta, eu, por medo, nunca as consegui receber com um coração aberto como o  destes meus primos e como o de outras pessoas com as quais me vou cruzando e me falam prazerosamente do meu pai.

Curiosamente, enquanto os ouvia falar, olhava de vez em quando para o céu que persistia manter-se aceso, e imaginava-o com as suas avultadas orelhas, olhos verdes, cabelo forte e ondulado, com um sorriso que lhe rasgava seu rosto magro. Eu era ainda muito pequenina, tinha cerca de 2 anos.

 

 

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