“Se eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar, 
Seria mais feliz um momento … 
Mas eu nem sempre quero ser feliz. 
É preciso ser de vez em quando infeliz 
Para se poder ser natural… 
Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva … 
O que é preciso é ser-se natural e calmo 
Na felicidade ou na infelicidade, 
Sentir como quem olha, 
Pensar como quem anda, 
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, 
E que o poente é belo e é bela a noite que fica… 
Assim é e assim seja …”
Alberto Caeiro, in “O Guardador de Rebanhos”

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Vínhamos na estrada, de volta a casa, olho para o céu e uma aurora boreal dançava! Foi no dia 5 de Setembro. Enveredamos por uma estrada de campo e parámos num local com duas casas, quase sem luz artificial, e contemplamos lindos desenhos coloridos, uns que que se formavam e outros que se desvaneciam. O termómetro marcava 2 graus. O céu estava repleto de estrelas. A Lua, essa, dormia.

Um dia na Lapónia que não iremos esquecer!! Eu e a minha amiga estamos ali, olhando o céu deste local maravilhoso do nosso planeta!

Saudades de alguém que (não) conheci

Sentada numa esplanada debaixo de um céu quente de energias que iluminavam a noite com  raios, sentia a  pele temperada por  ventos rebeldes que sopravam guardanapos pousados nas mesas. Foi este o cenário que antecedeu a passagem para um tempo guardado no passado, e, porque desconhecido para mim, tive saudades.

Foram os meus primos que ontem, ao desembrulharam essa caixa mágica, acordaram o meu pai e permitiram um divertido encontro a quatro, ao recordarem registos que eu não reconhecera nele em vida, marcados por amabilidade, por vontade de dar o que tinha, por gosto em bem receber na sua casa, por sentido de humor… aliás, todas estas características lhas conheci em vida, mas por curtos períodos de tempo; porém, por antecederem sempre um estado de espírito de revolta, eu, por medo, nunca as consegui receber com um coração aberto como o  destes meus primos e como o de outras pessoas com as quais me vou cruzando e me falam prazerosamente do meu pai.

Curiosamente, enquanto os ouvia falar, olhava de vez em quando para o céu que persistia manter-se aceso, e imaginava-o com as suas avultadas orelhas, olhos verdes, cabelo forte e ondulado, com um sorriso que lhe rasgava seu rosto magro. Eu era ainda muito pequenina, tinha cerca de 2 anos.

 

 

poema de domingo

POEMA DE DOMINGO

Aos domingos as ruas estão desertas
e parecem mais largas.
Ausentaram-se os homens à procura
de outros novos cansaços que os descansem.
Seu livre arbítrio alegremente os força
a fazerem o mesmo que fizeram
os outros que foram fazer o que eles fazem.
E assim as ruas ficaram mais largas,
o ar mais limpo, o sol mais descoberto.
Ficaram os bêbados com mais espaço para trocarem as pernas
e espetarem o ventre e alargarem os braços
no amplexo de amor que só eles conhecem.
O olhar aberto às largas perspectivas
difunde-se e trespassa
os sucessivos, transparentes planos.

Um cão vadio sem pressas e sem medos
fareja o contentor tombado no passeio.

É domingo.
E aos domingos as árvores crescem na cidade,
e os pássaros, julgando-se no campo, desfazem-se a cantar empoleirados nelas.
Tudo volta ao princípio.
E ao princípio o lixo do contentor cheira ao estrume das vacas
e o asfalto da rua corre sem sobressaltos por entre as pedras
levando consigo a imagem das flores amarelas do tojo,
enquanto o transeunte,
no deslumbramento do encontro inesperado,
eleva a mão e acena
para o passeio fronteiro onde não vai ninguém.

António Gedeão

Uma inspiração

Neste fim de semana que passou fiz uma viagem até uma Quinta e lá aprendi um pouco do que a Mãe Natureza não desiste de nos ensinar. Aprendi o que é um um Jardim Floresta, quais os elementos que fazem parte dele.

Aprendi o que é Permacultura passeando pela floresta, parando, observando e ouvindo a Laura e a Annelieke tinham para nos ensinar. Acordei às 7 horas da manhã e comecei o dia com 45 minutos de meditação numa sala linda com seus olhos abertos para a floresta deitei-me às 9 horas da noite, pus as mãos na terra, fui arranhada pelas silvas, tomei banho numa cascata, comi só comida vegetal, o sol era intenso e convivi com pessoas que sentem fazer parte da natureza.

Apresento-vos a casa de banho onde a água do duche é aquecida por uma caldeira alimentada a lenha ( tinha que se acender o lume duas horas antes do primeiro banho). Podem ver a chaminé a fumegar 🙂
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Dormimos aqui nesta maravilhosa Tenda Yurt
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A Lua espreitava por um daqueles triangulos. Foi a sua luz que me acordou durante a noite
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Com inspiração, tudo é possível!

A Casa

A Casa, a certa altura começou a despir-se da sua capa. Ela apaixonou-se pelo Tempo e ele despiu-a cuidadosamente.
Ela mostra a sua história através das cores.

A cor da sua criação foi ocre vermelho, a sua pré-história
A cor adulta, o ocre amarelo que simboliza a Deusa Mãe
Azul e Branco, as cores que vestiu nos seus últimos 20 anos, as cores que uniformizam as casas alentejanas. Ela mostrou a sua rebeldia. Não quer ser uniforme.

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