Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.
…e dei uma corrida até lá atrás, ao ano de 2004, mais ou menos por estes dias de final de Maio. Foi por essa altura que fui com a minha família ao primeiro festival do Rock In Rio que houve em Portugal. Fomos ver Sting e Ivete Sangalo entre outros artistas.
Naquele Festival estava montes de gente por todo lado e, a dada altura, precisei de ir ao WC. Havia uma fila enorme! Quando sai da casinha comecei a andar e perdi-me. Procurei por eles, procurei… até que desisti, pois ouvi anunciar a subida ao palco de Ivete. Fui rapidamente para um local onde a pudesse ver e, um pouco triste, ouvi a canção” Poeira” sozinha, com o pessoal ao meu redor aos saltos, fazendo poeira. Eu ouvi a canção e respirei Poeira! Depois, a poeira dissipou-se e encontrei o meu pessoal!
Não sei se já tinha televisão a cores ou se ainda era uma a preto e branco, marca Grundig! Sei que todos os dias tentava não perder o filme mudo com uma história preto no branco a qual durava uns minutos e onde as personagens, sempre apressadas, tentavam chegar ao fim do filme . A seguir a uma pequena sequência de imagens gestuais, aparecia uma moldura com a tradução dos gestos por palavras. A música alegre, triste, rápida ou lenta, acompanhava as emoções dos actores os quais davam, à história muda, um mágico relevo com seus gestos largos e exagerados.
Eu fui crescendo e apaixonei-me pelos filmes de índios e cowboys que davam na televisão ao Domingo à tarde. Eu estava sempre a favor dos índios, aqueles índios da América do Norte de lindos cabelos negros e pele morena. Esta minha grande curiosidade e admiração pela vida dos índios culminou no filme Dança com Lobos, porque, o espírito índio do homem – límpido e livre – é amado pela natureza simbolizada, neste caso, pelo lobo. Veio, a seguir, o Trinita! Guardei a sua imagem preguiçosa sempre a dormir numa esteira puxada pelo seu cavalo.
Bem, depois veio Bonanza, os justos homens e, mais tarde, Uma Casa na Pradaria, com aquela família idealmente fantástica! Ahhh e o Sandokan, um lutador oriental muito jeitoso e as aventuras dos Pequenos Vagabundos que me fizeram sonhar com aventuras em grutas, em castelos abandonados, enfim…
Hoje, continuo a ser fã do grande e do pequeno ecrã, sentada na cadeira duma plateia ou no sofá da minha sala. Sou fã de filmes que me fazem pensar, que me obriguem a relacionar acontecimentos e que me conseguem fazer sentir outra pele: Se eu se fosse aquela pessoa, se vivesse naquela época, naquele lugar?
Dos últimos filmes que vi em grande ecrã, o que mais gostei foi “A Árvore da Vida” e, em pequeno ecrã, foi “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain“, duas narrativas sobre o amor e sobre o que a vida nos destina de angustiante ou de fabuloso, dependendo da escolha que façamos: o caminho da Natureza, brava e selvagem ou o da Graça, humilde e generosa.
Teresa Salgueiro tem um novo álbum chamado “Mistério” e, ontem, apresentou-o aqui na nossa cidade no auditório do Centro de Artes e Espectáculos. Vou mostrar-vos a canção que mais gostei e ouvir. Chama-se “Lisboa” e as palavras que ela escolheu para retratar a Capital de Portugal são aquelas através das quais eu vejo a cidade que também me ajudou a crescer.
“Mistério”, porque a vida é mesmo um mistério e, é por a vida ter esta característica que nós nos apercebemos de quanto somos frágeis. Por outro lado, a nossa capacidade criativa cresce, muda, desenvolve-se devido àquele Mistério. Cada um de nós, através das palavras, da pintura, da fotografia, da ciência… tentamos decifrar e interpretar os mistérios da vida.
Vamos então ouvir esta bonita canção cantada pela bonita Teresa gravada no México há 3 semanas e que eu ouvi ontem pela primeira vez
“Anoitece
Nas vielas e nas esquinas
Nas escadas e nas colinas
Nas calçadas feitas à mão
No bater do meu coração
Mas não me canso de percorrer
A cidade em que vim nascer
Onde o Tejo vem adormecer
E é uma porta aberta para o mar
Um convite p’ra navegar
E que abraça quem quer chegar
Desde sempre assim foi
P’las manhãs
Do Castelo desço a Alfama
Labirinto de casas brancas
Enfeitadas com andorinhas
E que é o berço de tradições
Do velho fado, das procissões
Das tabernas e dos pregões
E onde nas ruas pequeninas
Ainda ecoam trovas antigas
E se inventam novas cantigas
De louvar ao bom Santo António
Que Lisboa venera.
Eu só queria desenhar nesta melodia
O amor à minha cidade
Teimosa fantasia
É assim
Que eu gosto de imaginar
Esta Lisboa secular
Onde habitam todos os povos
De tantas raças, velhos e novos
A cidade mais luminosa
Bela, mágica, radiosa
Eu vou sempre cantar
P’ra ti Lisboa
De entre todas a mais formosa
Bela, mágica, radiosa
Vou p’ra sempre cantar.”
Acrescentei agora esta ligação a um texto que escrevi sobre ocircoe que está no meu blog nos arquivos de 2010. Este texto é o reflexo dos meus sentimentos sobre o circo
Hoje, dormi a sesta depois de almoço. A semana foi cansativa e muito quente e, hoje, eu fiquei super preguiçosa. Faço tudo lentamente – acho que demoro o dobro do tempo a fazer uma tarefa!!
Fui ao mercado, comprei cerejas e umas flores chamadas paraíso as quais têm um aroma semelhante à flor de laranjeira. Estão ali numa jarra no corredor.
A chuva voltou, cheira a terra molhada e a temperatura está óptima. Ao ouvir outra vez esta música lembrei-me duns animais muito simpáticos que conheci nos Açores numas férias.