histórias ao vivo

Um dia deu-me uma vontade, a vontade de saltar para fora do círculo da minha rotina para usar a liberdade que está dentro de mim. Pedi no meu emprego um dia por semana até ao fim deste ano, prescindi por uns meses do dinheiro que ganharia nesse dia e fui à aventura. Fui à procura de mulheres que já entraram na casa dos 70, 80, 90 anos. Senhoras que vivem na cidade de Portalegre e pela Serra de São Mamede, mulheres que conciliaram a vida doméstica com um emprego numa fábrica  ou no campo e pedi que me contassem as suas histórias de vida, histórias importantes, histórias que sustentam a História da nossa terra com seus braços musculados e mãos robustas.

A recolha que estou fazendo fica registada, cada dia destes é vivido com aquilo que ele me quer dar, houve dias em que simplesmente andei pela cidade à espera que esta me surpreendesse, as senhoras que não me abriram a sua porta, não insisti e quanto às que me deixaram entrar na sua casa, tentei reter o máximo de informação na memória dos meus sentidos. A minha amiga Marta começou a acompanhar-me nesta viagem e fez o seu registo fotográfico, o que quer dizer que das primeiras senhoras com as quais conversei – algumas das que trabalharam na Fábrica dos Lanifícios e na Fábrica da Cortiça Robinson –  não tenho as suas imagens fixa num determinado espaço e tempo. Mas foi assim que aconteceu, assim ficará. Não vou voltar atrás na história, buscar uma fotografia. Foi assim que fluiu… respeitarei esta fluidez.

Quando penso no futuro, uma parte de mim, aquela que me prende, mostra-me aquela figura em forma de medo, aquele gigante que me diz não estar à altura de retratar a importância destas histórias por palavras e depois, a outra parte de mim, aquela que voa ao sabor do vento, diz-me, deixa-te ir, não penses muito, deixa continuar a acontecer e simplesmente agradece este percurso de partilhas. Não quero escrever um livro, não sou escritora, mas sim, gostaria que algumas mulheres e alguns homens que ainda estão por nascer, lá à frente, tivessem um dia a oportunidade de conhecer estas mulheres através das suas histórias, caso a boa da curiosidade os assaltasse. Qual a forma que este registo vai assumir? ainda não sei!

Hoje estivemos no ventre da mãe natureza, um ventre a céu aberto que pariu pedras brancas, parto forçado pelas mãos dos homens. Talvez por isso, este foi o trabalho mais duro e mais difícil que alguma vez a D. Joaquina conheceu, pois todos os homens da aldeia da Escusa lá trabalhavam quando ela era jovem, inclusivamente o seu marido. Trabalhavam muito, de sol a sol e ganhavam pouco dinheiro.

Mostro-vos uma parte das caleiras silenciadas há já muitas décadas e uma pedra de cal branca, oferecida pela D. Joaquina, a cor que caiou e desinfectou muitas paredes das casas do Alentejo, uma limpeza anual obrigatória e que era o orgulho de qualquer mãe de uma família alentejana.

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O interior de uma alentejana

Esta fotografia de Marta Sofia Nunes é uma imagem poética sobre a vida que acontecia e ainda acontece em muitas casas do Alentejo rural.

A Fome, saciada diariamente pelo pão,

o Frio, entranhado nos pés engadanhando as mãos apaziagua-se na presença do borralho que arde devagarinho no chão.

A Mesa, onde a mãe o pai e o menino comem a sopa de feijão que a rica terra oferece tem dentro uma gaveta que recolhe o conduto até à próxima refeição.

A Cordice, cortina colorida guarda histórias secretas quando corrida e a cadeira florida, contagia a toalha de mesa e os pratos de esmalte…

e é assim que as flores e as cores alegram a vida ao pé daquela chaminé que inspira lá de cima a fé e a esperança na lua e nas estrelas e no sol e na chuva como quem se inspira para compor uma canção.

A cozinha da D. Leonilde

Pela Serra de São Mamede

Um passeio pelo Mundo da Natureza…

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memórias

Nestes últimos meses tenho dedicado algum do meu tempo a ouvir histórias de vida. Sento-me ao lado de senhoras já com uns belos anos, abro o meu caderno de linhas encadernado na CERCI, oferecido por amigas, mas guardado há uns anos, pego na caneta e ouço… e admiro.. e às vezes esqueço-me de escrever…hoje, quando regressava a casa pensava “como é possível algumas das senhoras contarem a sua história com uma sequência temporal quase sem falhas? pois não é fácil aquilo que lhes peço!” algumas não conheceram a escola formal… outras fizeram com muito orgulho o exame da 4ª classe. Sabem no que reparei? reparei que aquelas que encontraram a paz dentro de si, paz que expressam em frases como “a vida do campo é muito bonita”, “trabalhei muito, mas estou feliz”, ” o trabalho era feito com muito amor”…, essas têm uma lucidez incrível! Os seus corpos ressentem-se dos esforços de outrora e hoje estão doentes. A consciência, essa, foi amadurecendo e está saudável.

D. Júlia

Fotografia por Marta Sofia Nunes no café Alentejano

cogumelos

depois da chuva intensa vieram os dias de sol que despertaram os cogumelos

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uma casa na nossa casa que é a Terra

Uma experiência de vida diferente, um Futuro possível. Esta casa foi concebida pelo nosso amigo Zé Paulo :-)

http://soutoqueimado.blogspot.com/2014/10/casa-arrenda-se-150-euros-sem-despesas.html?spref=fb

Adequa-se muito bem aqui o conceito, cuja explicação ouvi dos Blasted Mechanism, o conceito de Re-Evolução.

Vindimas nas encostas do Rio Douro

Foi assim, no fim de semana que passou, um contacto com a natureza e com as uvas que nos dão os bons vinhos da região do Douro

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e um Ode às Vindimas



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